sexta-feira, 3 de abril de 2015

Alunos do 3º Período- História da Arte- Letras/CEFET MG visitam a exposição Coleção Inhotim- Do objeto para o mundo- Palácio das Artes/ BH - Fevereiro/2015




Hélio Oiticica
As  obras apresentadas datam dos anos de 1950 até os dias de hoje e propõem um recorte do acervo que examina a formação do campo da arte contemporânea . A exposição toma como ponto de partida um momento histórico em que a arte deixa de se resumir a objetos para existir de maneira mais aberta para o mundo. Nesse contexto, elementos do cotidiano, do espaço real, da política e do corpo são incorporados e o espectador se transforma em participante.(https://www.inhotim.org.br/blog/inhotim-exposicao-gratuita-bh/) 

ARTES VISUAIS: BASQUIAT

Jean Michel Basquiat


http://www.youtube.com/watch?v=vmgoSYZr77k

Basquiat foi um dos primeiros  a usar o grafite como forma de expressão. A partir dele o grafite abandonou as ruas ganhou estatus de arte. Seu trabalho era um mix de influências. Ele se utilizava do pop, arte das ruas, histórias em quadrinhos e suas raízes africanas faziam parte do caldeirão cultural. 
Grande amigo de Andy Warhol, eles chegaram a pintar juntos alguns quadros. Apesar de ter morrido cedo, aos 27 anos de overdose, Basquiat é considerado um dos mais influentes artistas da década de 80.(http://blogartemix.blogspot.com/2010/10/jean-michel-basquiat.html)

Poesia: EDIMILSON DE ALMEIDA PEREIRA

CANDOMBE

Põe o ombro na lua,
Mas levanta forte
que Zambi arrepia o sol.

Os velhos desfiam os dedos
e o tempo se assusta: “Auê,
quem vive tanto é de mistério”.

“Não, que o quê?— respondem.
Põe o ombro aqui, candonga
mas dobra forte
que Zambi engole o sol.

Uê, morde por dentro
cobra dormindo faz a cova.

Uê, quem sabe desses meninos
é Zambi que engole o sol
é Zambi que mata o sol.


MISSA CONGA

Para que deuses se reza
quando o corpo aprendeu
      toda linguagem do mundo?

Onde se deitam os olhos
quando o altar dos antigos
         ainda se esconde?

Para que deuses se reza
quando as palavras se velam
         para invocar os nomes?

Por que não entregar a vida
ao deus com olhos de plumas
        que vive no fundo dos tempos?

EDIMILSON DE ALMEIDA PEREIRA

Nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil, em 1963. Licenciado em Letras e especializado em literatura portuguesa. Professor de literatura na Universidade Federal de Juiz de Fora, é mestre em literatura e em ciência da religião e doutor em comunicação e cultura. Estreou em 1985 e  publicou quase duas dezenas de livros. Sua obra poética foi reunida em quatro volumes em 2003, incluindo: Zé Osório Blues (2002); Lugares Ares (2003); Casa da Palavra (2003); e As Coisas Arcas (2003).  Traduzido a vários idiomas. 
Veja mais poemas do autor


Vídeo- ORO MIMA

ORO MIMÁ - Videoclipe realizado na comunidade quilombola  Santiago do Iguape - BA. 
https://www.youtube.com/watch?v=TsI2-ioOQA4


Luís Gama

Luiz Gonzaga Pinto da Gama nasceu em Salvador, Bahia, em 21 de julho de 1830, filho de uma negra livre, Luíza Mahin, e de um fidalgo branco de origem portuguesa (cujo nome jamais citou). Gama veio ao mundo na condição de  negro livre. Sua mãe, segundo ele mesmo conta, participou da Revolta dos Malês, em 1835, a maior rebelião de escravos do Brasil, e da Sabinada, em 1837, que proclamou a República Bahiense, era uma verdadeira revolucionária. Devido à participação nessas revoltas, Luiza teve que fugir para o Rio de Janeiro, deixando Gama aos cuidados do pai e sem qualquer informação posterior sobre ela. Por um ano, Luiz Gama viveu sob os cuidados do pai, que o vendeu quando contava dez anos de idade, na condição de escravo, segundo consta, para pagar dívidas de jogo. Foi assim que, da noite para o dia, um ser humano livre e dono de si, tornou-se uma “peça”, um escravo. Daí iniciou a trajetória de superação que faria de Luiz Gama um exemplo para negros e brancos na sua luta obstinada pelo fim da escravidão.

Luiz Gama, poeta, jornalista e advogado, defensor dos oprimidos, pobre por opção. 


DOCUMENTÁRIO EM VÍDEO SOBRE A VIDA E OBRA DE LUIS GAMA - TV Brasil - Programa De Lá Pra Cá: http://www.youtube.com/watch?v=srjrYBeypYQ

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Pierre Verger


Pierre Edouard Léopold Verger (1902-1996) foi um fotógrafo, etnólogo, antropólogo e pesquisador francês que viveu grande parte da sua vida na cidade de Salvador, capital do estado da Bahia, no Brasil. Ele realizou um trabalho fotográfico de grande importância, baseado no cotidiano e nas culturas populares dos cinco continentes. Além disto, produziu uma obra escrita de referência sobre as culturas afro-baiana e diaspóricas, voltando seu olhar de pesquisador para os aspectos religiosos do candomblé e tornando-os seu principal foco de interesse.
O livro ORIXÁS é fruto das constantes viagens de Pierre Verger à África entre os anos de 1948 e 1965 e apresenta textos e ilustrações que comentam e mostram certos aspectos do culto aos orixás, deuses dos iorubás, em seus lugares de origem, na África (Nigéria, ex-Daomé e Togo) e no Novo Mundo (Brasil e Antilhas), para onde foram levados, durante séculos, como escravos.
 (Fonte: http://www.pierreverger.org/fpv/index.php/br/pierre-fatumbi-verger/biografia)





http://www.pierreverger.org/fpv/index.php/br/espaco-foto/portfolios/orixas

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Poema do mestre Abdias do Nascimento

Padê de Exu libertador 

Exu- Abdias do Nascimento
Ó Exu
ao bruxoleio das velas
vejo-te comer a própria mãe
vertendo o sangue negro
que a teu sangue branco
enegrece
ao sangue vermelho
aquece
nas veias humanas
no corrimento menstrual

À encruzilhada dos
teus três sangues
deposito este ebó
preparado para ti
[...]

Exu-Yangui
príncipe do universo e
último a nascer
receba estas aves e
os bichos de patas que
trouxe para satisfazer
tua voracidade ritual
fume destes charutos
vindos da africana Bahia
esta flauta de Pixinguinha
é para que possas chorar
chorinhos aos nossos ancestrais
espero que estas oferendas
agradem teu coração e
alegrem teu paladar
um coração alegre é
um estômago satisfeito e
no contentamento de ambos
está a melhor predisposição
para o cumprimento das
leis da retribuição
asseguradoras da
harmonia cósmica

Invocando estas leis
imploro-te Exu
plantares na minha boca
o teu axé verbal
[...]

Teu punho sou
Exu-Pelintra
quando desdenhando a polícia
defendes os indefesos
vítimas dos crimes do
esquadrão da morte
punhal traiçoeiro da
mão branca
somos assassinados
porque nos julgam órfãos
desrespeitam nossa humanidade
[...]

Exu
tu que és o senhor dos
caminhos da libertação do teu povo
sabes daqueles que empunharam
teus ferros em brasa
contra a injustiça e a opressão
Zumbi Luiza Mahin Luiz Gama
Cosme Isidoro João Cândido
sabes que em cada coração de negro
há um quilombo pulsando
em cada barraco
outro palmares crepita
os fogos de Xangô
iluminando nossa luta
atual e passada

Ofereço-te Exu
o ebó das minhas palavras
neste padê que te consagra
não eu
porém os meus e teus
irmãos e irmãs em
Olorum
nosso Pai
que está
no Orum

Laroiê!
(O poema é parte do discurso de Abdias Nascimento ao receber o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia - disponível na íntegra em http://www.abdias.com.br/biografia/ufba.htm)

sábado, 23 de novembro de 2013

DOCUMENTÁRIO: Atlântico Negro: na rota dos Orixás  https://www.y...

Yemanjá- Abdias do Nascimento
BLOG DO NEAB: Atlântico Negro: na rota dos Orixás  https://www.y...: Atlântico Negro: na rota dos Orixás  https://www.youtube.com/watch?v=riY_OkEtfos

Coleção História Geral da África


Coleção História Geral da África em português (somente em pdf)  

Brasília: UNESCO, Secad/MEC, UFSCar, 2010.
Download gratuito (somente na versão em português):

Publicada em oito volumes, a coleção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da coleção já foi publicada em árabe, inglês e francês; e sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

domingo, 8 de setembro de 2013

Cemitério de escravos - Leopoldina

O Mestre Dimas conta um pouco a história de Leopoldina e mostra um cemitério dos escravos. Os túmulos e as covas rasas, esquecidas e tão fortes na memória de uma cidade que precisa reconciliar-se com seu passado.
http://www.youtube.com/watch?v=SAK3vIncIlg#t=94&hd=1

sábado, 24 de agosto de 2013

Clube dos Cutubas - Leopoldina/MG


Um leão africano adorna o emblema do Clube dos Cutubas, Leopoldina-MG. Trata-se de referência ilustre para um reinado de quase 90 anos de pura música de pretos. 
Desde 1925, em quase um século de resistência  ao racismo, o Cutubas, altivo em sua sede, ainda anima as noites de quem busca  samba, pagode, forró e outros ritmos, no  sobradinho pintado de um cinza triste, em nada combinando com a animação colorida  dos seus frequentadores.
O Cutubas é o lugar onde os negros sempre puderam entrar e se divertir - no outro clube da cidade eles eram barrados. Mas a herança escravista e latifundiária tem que engolir até hoje o quilombo urbano,  quarteirões adiante, território insurgente erguido e sustentado com o suor dessa gente que não tem medo de nada, leões orgulhosos de sua raça, de sua força e, principalmente,  de sua alegria que não morre nunca,  como um farol a nos guiar nesses longos séculos de intolerância.  
No Cutubas era onde se gastava as horas preciosas roubadas do trabalho duro  nas fazendas de café, na estrada de ferro, nas fábricas de tecidos, nas cozinhas e faxinas das casas grandes. Lugar de namoros, beijos, promessas e memória de outros carnavais.
A história do Cutubas está sendo contada por seus velhos conhecidos, dirigentes, frequentadores, músicos no projeto Memória e Patrimônio afro- descendente de Leopoldina-MG que estou coordenando e aprendendo muito. (Margareth C.Franklim)

Feminismos e justiça social: as lutas das mulheres negras não cabem em uma única palavra

Texto de Ana Claudia Pereira.
No século XVIII, negras alforriadas nascidas na Costa da Mina formavam, em solo brasileiro, domicílios compostos basicamente por mulheres. As que conseguiam acumular alguns bens deixavam heranças para escravas, ex-escravas e filhas. Muitas delas registraram em seus testamentos histórias de solidariedade em momentos de dificuldade material e doença, como mostram estudos da historiadora Sheila de Castro Faria. A palavra “feminismo”, para elas, não existia.
Na cultura iorubá, “ialodê” é um título conferido a mulheres de reconhecido valor para a comunidade, funcionárias de Estado, representantes das mulheres em instâncias de poder e governo, além de ser atribuído às orixás Oxum e Nanã. Jurema Werneck analisou o destaque e a liderança conquistadas por sambistas como a cantora Alcione junto às brasileiras negras, associando-as às ialodês. Para ialodês e sambistas, “feminismo” não é uma referência central.
“Feminismo” consolidou-se como o termo mundialmente conhecido para falar da luta das mulheres pela emancipação a partir da mobilização de europeias e norte-americanas. Reivindicando melhores condições de vida, imaginavam um mundo melhor a partir de suas próprias experiências sociais: para as operárias, a prioridade era adquirir direitos, enfrentar a exploração capitalista, melhorar as condições de trabalho nas fábricas; para as mulheres de elite, o termo muitas vezes esteve associado à demanda de mulheres brancas e ricas pela participação no mundo de privilégios sociais de homens também brancos e ricos. “Feminismo” foi, desde sempre, um termo disputado por diferentes projetos de sociedade, alguns mais igualitários, outros menos.
Viajando por muitos caminhos, conferiu ferramentas importantes para as lutas das mulheres latino-americanas, fossem elas novas ou antigas. E, ao criar raízes na região, ganhou a cara da nossa diversidade, moldou-se de acordo com a imensa desigualdade racial e social que caracteriza nossos países.

Foto de Tatiana Reis/Latinidades Afrolatinas no facebook.