segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Frases marcantes do julgamento sobre cotas raciais no Supremo

Ricardo Lewandowski (relator)
"Justiça social mais que simplesmente distribuir riquezas significa distinguir, reconhecer e incorporar valores. Esse modelo de pensar revela a insuficiência da utilização exclusiva dos critérios sociais ou de baixa renda para promover inclusão, mostrando a necessidade de incorporar critérios étnicos."

 
                                        Luiz Fux (ministro do STF)
"A opressão racial dos anos da sociedade escravocrata brasileira deixou cicatrizes que se refletem na diferenciação dos afrodescendentes. [...] A injustiça do sistema é absolutamente intolerável." 


 

                       
                                       Rosa Weber (ministra do STF)
"Se os negros não chegam à universidade por óbvio não compartilham com igualdade de condições das mesmas chances dos brancos. Se a quantidade de brancos e negros fosse equilibrada poderia se dizer que o fator cor não é relevante. Não parece razoável reduzir a desigualdade social brasileira ao critério econômico."



                                       Cármen Lúcia (ministra do STF)
"As ações afirmativas não são as melhores opções. A melhor opção é ter uma sociedade na qual todo mundo seja livre para ser o que quiser. Isso [cota] é uma etapa, um processo, uma necessidade em uma sociedade onde isso não aconteceu naturalmente."





Marco Aurélio Mello (ministro do STF)
"Falta a percepção de que não se pode falar em Constituição Federal sem levar em conta acima de tudo a igualdade. Precisamos saldar essa dívida, no tocante a alcançar-se a igualdade." 





Joaquim Barbosa (ministro do STF)
“Ações afirmativas se definem como políticas públicas voltadas a concretização do princípios constitucional da igualdade material a neutralização dos efeitos perversos da discriminação racial, de gênero, de idade, de origem. [...] Essas medidas visam a combater não somente manifestações flagrantes de discriminação, mas a discriminação de fato, que é a absolutamente enraizada na sociedade e, de tão enraizada, as pessoas não a percebem."

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Nós, escravocratas

Há exatos cem anos, saía da vida para a história um dos maiores brasileiros de todos os tempos: o pernambucano Joaquim Nabuco. Político que ousou pensar, intelectual que não se omitiu em agir, pensador e ativista com causa, principal artífice da abolição do regime escravocrata no Brasil.
Apesar da vitória conquistada, Joaquim Nabuco reconhecia: “Acabar com a escravidão não basta. É preciso acabar com a obra da escravidão”, como lembrou na semana passada Marcos Vinicios Vilaça, em solenidade na Academia Brasileira de Letras.
Mas a obra da escravidão continua viva, sob a forma da exclusão social: pobres, especialmente negros, sem terra, sem emprego, sem casa, sem água, sem esgoto, muitos ainda sem comida; sobretudo sem acesso à educação de qualidade.
Ainda que não aceitemos vender, aprisionar e condenar seres humanos ao trabalho forçado pela escravidão – mesmo quando o trabalho escravo permanece em diversas partes do território brasileiro –, por falta de qualificação, condenamos milhões ao desemprego ou trabalho humilhante.
Em 1888, libertamos 800 mil escravos, jogando-os na miséria. Em 2010, negamos alfabetização a 14 milhões de adultos, negamos Ensino Médio a 2/3 dos jovens. De 1888 até nossos dias, dezenas de milhões morreram adultos sem saber ler.
Cem anos depois da morte de Joaquim Nabuco, a obra da escravidão se mantém e continuamos escravocratas.
Somos escravocratas ao deixarmos que a escola seja tão diferenciada, conforme a renda da família de uma criança, quanto eram diferenciadas as vidas na Casa Grande ou na Senzala.
Somos escravocratas porque, até hoje, não fizemos a distribuição do conhecimento: instrumento decisivo para a liberdade nos dias atuais.
Somos escravocratas porque todos nós, que estudamos, escrevemos, lemos e obtemos empregos graças aos diplomas, beneficiamo-nos da exclusão dos que não estudaram. Como antes, os brasileiros livres se beneficiavam do trabalho dos escravos.
Somos escravocratas ao jogarmos, sobre os analfabetos, a culpa por não saberem ler, em vez de assumirmos nossa própria culpa pelas decisões tomadas ao longo de décadas. Privilegiamos investimentos econômicos no lugar de escolas e professores.
Somos escravocratas, porque construímos universidades para nossos filhos, mas negamos a mesma chance aos jovens que foram deserdados do Ensino Médio completo com qualidade.
Somos escravocratas de um novo tipo: a negação da educação é parte da obra deixada pelos séculos de escravidão.
A exclusão da educação substituiu o sequestro na África, o transporte até o Brasil, a prisão e o trabalho forçado. Somos escravocratas que não pagamos para ter escravos: nossa escravidão ficou mais barata e o dinheiro para comprar os escravos pode ser usado em benefício dos novos escravocratas. Como na escravidão, o trabalho braçal fica reservado para os novos escravos: os sem educação.
Negamo-nos a eliminar a obra da escravidão.
Somos escravocratas porque ainda achamos naturais as novas formas de escravidão; e nossos intelectuais e economistas comemoram minúscula distribuição de renda, como antes os senhores se vangloriavam da melhoria na alimentação de seus escravos, nos anos de alta no preço do açúcar.
Continuamos escravocratas, comemorando gestos parciais. Antes, com a proibição do tráfico, a lei do ventre livre, a alforria dos sexagenários. Agora, com o bolsa família, o voto do analfabeto ou a aposentadoria rural. Medidas generosas, para inglês ver e sem a ousadia da abolição plena.
Somos escravocratas porque, como no século XIX, não percebemos a estupidez de não abolirmos a escravidão. Ficamos na mesquinhez dos nossos interesses imediatos negando fazer a revolução educacional que poderia completar a quase-abolição de 1888.
Não ousamos romper as amarras que envergonham e impedem nosso salto para uma sociedade civilizada, como, por 350 anos, a escravidão nos envergonhava e amarrava nosso avanço.
Cem anos depois da morte de Joaquim Nabuco, a obra criada pela escravidão continua, porque continuamos escravocratas. E ao continuarmos escravocratas, não libertamos os escravos condenados à falta de educação.



CRISTOVAM BUARQUE

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Patrimônio cultural negro em Leopoldina -MG


Festa de São Jorge/ Ogun - Terreiro de Umbanda em Leopoldina - MG
O Núcleo de Pesquisa e Estudos Afro brasileiros (NEAB), do Cefet MG, Campus III Leopoldina foi contemplado no Edital 07/2012, da Fapemig, em apoio a projetos de extensão em interface com a pesquisa. O projeto aprovado pretende contribuir para a valorização e preservação do patrimônio histórico e cultural da população afrodescendente.

Para isso quer ouvir pessoas ligadas às práticas religiosas  afro brasileiras e também os participantes do Clube Social dos Cutubas que desde 1925 tem sido um espaço de diversão, cultura e resistência para os negros de Leopoldina A umbanda e o Clube Social são vistos como formas de resistência que desafiam a tradição escravista que assombra desde o passado das grandes fazendas de café.
 
Veteranos do Clube dos Cutubas - Foto: Luciano Baía Meneghite - leopoldinense.com.br
Manter apoio a ações afirmativas em conjunto com os grupos comunitários com os quais trabalham é a ideia do NEAB, segundo a responsável pelo projeto aprovado, a Profa Margareth Franklim, para quem essas atividades extensionistas já estão em curso, devendo ser fortalecidas com os recursos obtidos. Informa ainda que o trabalho usará depoimentos orais como fonte para coletar as muitas histórias de vida que fazem parte da historia coletiva e social do município.
Esse material será editado e publicado em um volume com fotografias  para ser usado pelos alunos do Cefet em diversas disciplinas, além de ser encaminhado para as escolas, associações,  terreiros, bibliotecas e outros locais públicos do município. A pesquisa documental, entrevistas, transcrição, digitalização e edição do material produzido será feita por uma equipe de alunos e professores do Cefet- Leopoldina.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Dica cultural

Hoje daremos uma dica cultural para as crianças e jovens leopoldinenses. É a Estante Vitalino Duarte (nome dado em homenagem a uma das mais importantes figuras da cultura popular desta cidade), onde poderão deliciar-se com a leitura de livros de contos, histórias, fábulas e lendas trazidas pelos escravos africanos e reproduzidas por importantes escritores.  Além de conferirem as exposições de fotografias "Angola limitada" e "O meio do mundo". Desta maneira seremos induzidos a começar perceber a presença e participação do negro na formação sócio, política, econômica e cultural da cidade, que é o primeiro estágio do PROJETO MEMÓRIA E PATRIMÔNIO: LEOPOLDINA-MG.
Confira algumas fotos: 



segunda-feira, 2 de julho de 2012

Projeto Casa de Leitura Lya Botelho Leopoldina MG




      A Capoeira é, sem dúvida, um dos mais populares exemplos da riqueza cultural africana e sua presença no Brasil, e em mais de 150 países, é um importante legado do povo daquele continente. Em nosso país, sua música, seu ritmo, sua ginga, seus movimentos encontraram terreno fértil e fincaram raízes, influenciando as características culturais mestiças do nosso povo.
     Com o apoio da Fundação Ormeo Junqueira Botelho e o patrocínio da ENERGISA, a Casa de Leitura Lya Botelho uma vez mais disponibiliza à população de Leopoldina-MG a oportunidade da prática de uma atividade que concilia o lúdico e o seu aspecto cultural.

Férias + Capoeira = uma combinação perfeita!



Mais informações: Blog Casa de Leitura Lya Botelho

terça-feira, 19 de junho de 2012

A HISTORIA NEGRA DO TANGO - O tango nasceu num bairro de descendentes de escravos africanos na Argentina

por Rucangola Ruca, domingo, 17 de Junho de 2012 às 09:21 ·
Exposição em Buenos Aires revela a "história negra" do tango

ELENA ARSUAGA
Buenos Aires - O tango, de raízes suburbanas, tem também uma "história negra" que se relaciona com os ritmos afroargentinos, um "segredo" que foi resgatado pelo antropólogo Norberto Pablo Círio.
"Apesar de sempre existir esse rumor sobre a presença negra no tango, esse assunto nunca foi bem estudado e compreendido", explica à Agência Efe Círio, promotor da exposição "Historia Negra Del Tango", que acaba de ser inaugurada em Buenos Aires.
O antropólogo decidiu entrar em contato com a comunidade argentina de ascendência africana para saldar essa "dívida histórica e social com um dos grupos fundadores do país".
Sob o lema que "tudo tem sua história negra, mas desta vez estamos orgulhosos", o antropólogo organizou uma mostra composta por mais de uma centena de peças que pretendem provar este pioneiro enfoque sobre uma realidade que havia sido vagamente tratada na academia e sempre a partir de uma perspectiva branca, lembra Círio.
Partituras, discos e fotografias originais de época e em sua maior parte inéditas cedidas para a ocasião formam o percurso feito nas últimas décadas do século 19 e analisa o candombe, "a música e o baile distintivos e emblemáticos desta comunidade", e a música de carnaval, que para Círio desenham o contexto no qual nasceu o tango.
A exposição aprofunda na presença de afroargentinos nos diferentes períodos do tango como gênero, a partir da figura de Rosendo Mendizabal, "um marco indiscutível" nas origens do tango, opina o especialista.
"Joia"A maior "joia" da mostra, instalada no museu Casa Carlos Gardel, é uma partitura original de 1897 de "El Entrerriano", uma das mais importantes composições de Mendizabal, cuja publicação marcou para Círio a origem da "Guardia Vieja" como período estilístico do tango.
A exposição destaca também as figuras do compositor e músico Ruperto Leopoldo Thompson, quem introduziu o chamado estilo "canyengue", e do pianista e compositor Horacio Salgán, cujo tango "A fuego brando" foi "o germe de todo o movimento estético de Astor Piazzolla e sua escola", assegura o antropólogo.
Outro dos compositores destacados na mostra é Enrique Maciel, cuja valsa "La pulpera de Santa Lúcia", de 1929, é de acordo com Círio "o hino, a obra emblemática das valsas crioulas".
"Desde a origem do tango até o presente sempre houve músicos, compositores e dançarinos negros", explica à Efe Horacio Torres, diretor do museu, quem lembra que dois dos seis guitarristas de Gardel eram afroargentinos.
Completam a mostra partituras e discos de compositores brancos como Sebastián Piana e músicos como Alberto Castillo, que tratam a partir de diferentes perspectivas a temática da negritude.

"LA HISTORIA NEGRA DEL TANGO"Onde: Museu Casa Carlos Gardel (Jean Jaurés, 735, Abasto, Buenos Aires, Argentina)

Desenho de casal de negros dançando tango. Publicado no periódico "La Ilustración Argentina", de Buenos Aires, em 1882
Foto feita em Buenos Aires (1920) de um compadrito, figura típica dos cabarés portenhos


O tango nasceu num bairro de descendentes de escravos africanos na Argentina
O tango nasceu num bairro de descendentes de escravos africanos na Argentina
Gabino Ezeiza , um dos representantes do Tango Afro Argentino
Show de 2009 em Buenos Aires realizado pelo grupo argentino de candombe Bakongo
Candombe - Tango Negro
Discografia - Pianista , compositor e pintor , Juan Carlos Caceres depois de uma longa carreira pelo Mundo ,20 albuns , consagra uma parte de seu tempo a pesquisar sobre as origens Negras do Tango .
Discografia - Tango Negro Trio - 2011
Discografia - Tango Negro do musico argentino Athos Bassissi
Discografia - TANGO NEGRO - Best Of Tango Argentino , Candombes , Danza y Movimiento

sábado, 9 de junho de 2012

Um ano sem Abdias Nascimento (1914-2011)

ABDIAS NASCIMENTO:  ator, diretor, dramaturgo, artista plástico, poeta e  grande militante das lutas do movimento negro no Brasil
Documentário TV Câmara :
chttp://www.youtube.com/watch?v=tEf_02cQefc

Autobiografia: poema de Abdias Nascimento
EITO que ressoa no meu sangue
sangue do meu bisavô pinga de tua foice
foice da tua violação
ainda corta o grito de minha avó
LEITO de sangue negro
emudecido no espanto
clamor de tragédia não esquecida
crime não punido nem perdoado
queimam minhas entranhas
PEITO pesado ao peso da madrugada de chumbo
orvalho de fel amargo
orvalhando os passos de minha mãe
na oferta compulsória do seu peito
PLEITO perdido
nos desvãos de um mundo estrangeiro
libra... escudo... dólar... mil-réis
Franca adormecida às serenatas de meu pai
sob cujo céu minha esperança teceu
minha adolescência feneceu
e minha revolta cresceu
CONCEITO amadurecido e assumido
emancipado coração ao vento
não é o mesmo crescer lento
que ascende das raízes
ao fruto violento
PRECONCEITO esmagado no feito
destruído no conceito
eito ardente desfeito
ao leite do amor perfeito
sem pleito
eleito ao peito
da teimosa esperança
em que me deito
por Abdias do Nascimento

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Cotas Raciais: entrevista com o antropólogo Jaime Amparo Alves

7 de Junho de 2012 - 9h53   

Racismo faz surgir identidade explosiva, forjada em dor e raiva

Para o doutor em Antropologia Jaime Amparo Alves, irônica e paradoxalmente, o sofrimento social negro traz consigo as sementes revolucionárias porque não resta outra opção a não ser resistir enquanto grupo organizado.
Por Jorge Américo, para a Radioagência NP

No início de maio, pelo menos 40 organizações populares se reuniram na cidade de São Paulo para lançar a Frente Pró-Cotas Raciais. O encontro ocorreu duas semanas após o Supremo Tribunal Federal (STF) declarar a constitucionalidade da reserva de vagas para negros em instituições públicas de ensino superior.

A mobilização se deu quando os reitores das três universidades estaduais paulistas (USP, UNESP e Unicamp) anunciaram que a decisão do STF não provocará nenhuma alteração em seus processos seletivos. O primeiro ato político da Frente foi a realização de uma Aula Pública, na semana da Abolição, no interior da Faculdade de Direito do Largo São Francisco.

Anteriormente, muitas dessas organizações formaram o Comitê contra o Genocídio da Juventude Negra, para denunciar a violência policial e a ausência de políticas públicas voltadas para essa parcela da população.

Em entrevista à Radioagência NP, Jaime Amparo Alves, doutor em Antropologia e Pesquisador do Departamento de Estudos Africanos e Afro-Americanos da Universidade do Texas (EUA), interpreta as recentes mobilizações como um indicativo de que é possível uma reaproximação das entidades do movimento negro, fragmentado com a aprovação de um Estatuto da Igualdade Racial “esvaziado”.

“A esquerda brasileira é esquizofrênica ao esperar que se resolva o problema de classe para que um dia a questão racial seja, enfim, posta na mesa de debates”, analisa o antropólogo. “Eu descobri isso quando vi minha mãe envelhecendo na cozinha dos companheiros revolucionários”. Entre outras análises, ele vê São Paulo como “uma necrópolis que ambienta nas relações sociais e nas políticas governamentais as práticas genocidas antinegro”.
LEIA MAIS EM: Racismo faz surgir identidade explosiva, forjada em dor e raiva

domingo, 3 de junho de 2012

Quilombos urbanos


Festa de Ogun - Leopoldina - MG   Foto: Isaque Douglas

Em função da expansão dos centros urbanos, vários territórios quilombolas foram “inseridos” e se tornaram parte de um espaço até então compreendido como outro. No entanto, com base em uma origem negra escrava e movidos pelo desejo de manter ou reconquistar uma vida em comunidade, os quilombolas urbanos, bem como os quilombolas rurais, compartilham uma mesma história e um mesmo objetivo: a valorização de seu passado de luta e resistência.
 (Texto na íntegra: http://www.cpisp. org.br/comunidades/html/brasil/mg/mg_quilombos_urbanos.html)

Arte Hip Hop: Grafites - BH

http://grafitesbh.blogspot.com.br/


sábado, 2 de junho de 2012

HIP HOP: arte e cultura das ruas

A narrativa insurgente do hip-hop

Ecio Salles

Resumo


Este artigo enfoca o rap como produção literária de setores periféricos/excluídos que propõe novos encaminhamentos tanto para a noção de “arte” e “cultura” quanto para as nossas questões sociais e políticas objetivas. O rap faz parte da cultura popular brasileira numa nova fase, que enfrenta os desafios do fenômeno denominado globalização, a presença da indústria cultural e os avanços tecnológicos, o que permitiu a criação de uma nova e formidável forma de fazer arte bem no centro das tensões e contradições urbanas. A produção poética dos rappers oferece uma forma determinada a questionar as vozes hegemônicas na sociedade, com isso constituindo-se como uma narrativa insurgente, perturbando a ordem que mantém determinadas regiões da cidade (como as favelas, por exemplo) apartadas dos benefícios da “vida moderna”.
http://seer.bce.unb.br/index.php/estudos/article/view/2156/1715

domingo, 20 de maio de 2012

CUBISMO E ARTE AFRICANA:TUDO A VER...

http://www.pesquisaemdebate.net/docs/pesquisaEmDebate_9/artigo_4.pdf
ARTE MODERNA E O IMPULSO CRIADOR DA ARTE AFRICANA
Elza Ajzenberg, Kabengele Munanga


Quando Drogba acabou com a guerra civil na Costa do Marfim

Do UOL Esporte
Em São Paulo
  • Atacante propôs que jogo fosse disputado na sede rebelde e conseguiu acabar com a guerra em 2007
A importância do astro Didier Drogba para a Costa do Marfim não se restringe aos limites do gramado. O atacante do Chelsea, da Inglaterra, já conseguiu usar o futebol como arma para acabar com uma guerra civil que se arrastava por cinco anos no seu país.
O episódio ocorreu em março de 2007, no confronto contra Madagascar, em partida válida pela qualificação da Taça das Nações Africanas. Mas não era apenas a vitória que estava em jogo. Na época, o craque exigiu que a partida fosse disputada em Bouaké, que era conhecida como a capital da rebelião.
A cidade era sede das tropas rebeldes do norte, de origem islâmica e com menor poder aquisitivo. Os guerrilheiros enfrentavam o exército do governo, ao sul do país, ligado ao cristianismo e às classes mais favorecidas. A nação ficou dividida numa guerra sangrenta, que só acabaria por causa da paixão do país pelo futebol.
O jogo no Bouaké Stadium uniu rebeldes e simpatizantes ao governo durante um período de cessar fogo. Um tanque rebelde conduziu a seleção liderada por Drogba ao estádio. E, antes do começo da partida, 25 mil fãs cantaram o hino do país.
Na tribuna do estádio, o presidente Laurent Koudou Gbagbo ficou ao lado do guerrilheiro Guillaume Kigbafori Soro, que hoje é primeiro-ministro do país. A Costa do Marfim goleou Madagascar por 5 a 0. No dia seguinte, os jornais marfinenses noticiavam: “Cinco gols para acabar com cinco anos de guerra”. Na ocasião, Drogba disse: “Foi como se a Costa do Marfim tivesse renascido”.
Era o desabafo de um jogador que se tornou herói de uma nação ao conseguir fazer com que a paixão pelo futebol se tornasse algo maior e mais nobre. A emoção tomou conta até mesmo dos soldados rebeldes que conduziram Drogba para fora do estádio. Muitos deles apertaram a mão do ídolo.
Outros puxaram câmeras fotográficas para registrar o momento em que uma partida de futebol ganhou outro significado. “Drogba e a seleção conseguiram fazer em 90 minutos o que os políticos não conseguiram fazer durante anos: unir a Costa do Marfim”, disse Guy Denis Koné, rebelde das forças de oposição, que assistiu ao jogo no estádio.
As tropas do governo ficaram nas arquibancadas, para simbolizar a união do país. Era a primeira vez que os soldados do governo estiveram na capital rebelde desde o começo da guerra civil. E a primeira vez que os dois inimigos estiveram lado a lado, sem animosidades.
“Quando eu cheguei aqui, senti apreensão e esperança ao mesmo tempo”, disse o oficial Christophe Diecket, em entrevista à revista Vanity Fair. “Ocorreram muitas mortes. Nós sabíamos que era o momento de deixar essa guerra de lado. Isso não poderia ter sido feito por outra pessoa. Apenas Drogba. Foi ele que nos curou dessa guerra”

quarta-feira, 16 de maio de 2012

História da escravidão negra no Brasil


Na terra e no cais
Coluna no GLOBO
Míriam Leitão - 13.5.2012

Rugendas: Mercado de escravos do Valongo - RJ

Domingo passado, fui andar com historiadores pelo Cais do Valongo, pelo antigo mercado de escravos e pelo Cemitério dos Pretos Novos. Revisitar a História que aflora no Rio impressiona. A brutalidade do sistema escravagista é maior do que temos em mente. Um milhão de escravos desembarcaram na cidade. Os saudáveis eram levados para o Mercado do Valongo; os que morriam nos primeiros dias, jogados num terreno.
O Centro do Rio está todo sendo escavado para a reforma do porto, e foi assim que encontraram o famoso Cais do Valongo, principal porta de entrada de escravos no Brasil. Do Rio, eram distribuídos para a mineração, as plantações de café e usinas de açúcar.
Da caminhada, fiz um programa para a Globonews junto com o jornalista Cláudio Renato. Conversei com o historiador Cláudio de Paula Honorato, autor de dissertação de mestrado na Universidade Federal Fluminense (UFF) sobre o que acontecia com os que chegavam saudáveis, a venda no mercado; e com Júlio César Medeiros, autor de um livro, fruto do seu mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com o título “À flor da terra: o cemitério dos pretos novos no Rio de Janeiro”. É possível ver, no buraco aberto no chão, misturados à terra, arcadas dentárias, ossos, pedaços de crânios.
— Um viajante que esteve aqui entre 1812 e 1824, Freyress, escreveu que os escravos que morriam não eram sepultados, mas jogados “à flor da terra”. Qualquer chuva descobria os corpos. Eram descartados uma vez por semana. De vez em quando eram queimados, e os ossos, quebrados, para caber mais — disse Júlio.
Essa forma de descarte trazia uma dor para além da vida. Pela cultura africana, o rito de passagem e o sepultamento eram a garantia de que aquela pessoa iria se encontrar com seus ancestrais. Sem ritual e insepultos estavam condenados à solidão eterna, pela explicação de Júlio Cesar.
Havia uma dúvida sobre se era possível ter tantos corpos num lugar pequeno, mas as escavações mostraram que só no pequeno espaço da Rua Pedro Ernesto, debaixo daquela casa, é que foram encontrados ossos. Júlio chegou a um número espantoso do período que ele estudou. Os registros provaram que ali foram jogados entre os anos de 1824 e 1830 exatos 6.122 corpos de recém-chegados. Eram chamados “novos” porque nunca tinham sido “usados”. Eram “coisas novas”. Não tinham nome, porque não chegaram a ter donos. Morriam pelas condições precárias da viagem. Há cemitérios de escravos em outras partes, mas aquele é único porque só tem africano, recém-chegado. Pode ser fonte de análise de DNA para se saber mais sobre de onde viera
Ela tem um nome grande, Ana Maria de la Merced G. G. G. dos Anjos. Maior ainda, a sua tarefa: ter dentro de sua casa um dos mais preciosos sítios arqueológicos da escravidão brasileira. Sua vida foi revirada depois desse achado. A obra foi paralisada, e houve um tempo de curiosidade jornalística. Depois da confirmação arqueológica vieram alguns historiadores, como Júlio. Mas só em 2011, uma década e meia depois, é que se organizou o espaço com um memorial e uma pequena sala de palestras. Dona Merced abria sua casa à visitação para os poucos curiosos dessa história aflorada no chão da casa. O setor público não ajudava e ainda ameaçava de expropriação. Não sabe agora se será renovado o convênio que considera o local “ponto de cultura”. Se não for renovado, acaba o pequeno subsídio para a manutenção do local.
Ela se emociona, guarda tudo com carinho, cedeu parte da sua casa para preservação e sonha com mais proteção através do instituto que criou, sem fins lucrativos.
— A sensação que eu tenho é que fui escolhida para proteger isso. Não entendo por quê, me sinto fraca para a missão, mas protejo. Aqui estão restos de muita gente, muitas delas, crianças. Aqui está um pedaço da história de um crime contra a humanidade — diz.
O que mais espanta Cláudio Honorato, que estudou o mercado, é como toda a história foi esquecida. Está, como diz, em teses que vão pegando poeira nas universidades. Durante muito tempo acreditou-se no mito de que tudo havia sido queimado por Ruy Barbosa, quando ele destruiu os documentos fiscais para impedir que os donos de escravos pedissem indenização após a abolição. A historiadora americana Mary Karasch, nos anos 1980, faz parte da nova onda de busca de documentos em outros arquivos. As escavações abrem nova frente de trabalho.
Cláudio Honorato conta que o mercado ocupou mais do que a atual Rua Camerino, segundo a descrição do Marquês de Lavradio, o vice-rei. Há ainda casarões daquela época em pé. Neles, as famílias viviam no segundo andar, e embaixo havia galpões onde eles estavam expostos para a venda. Charles Brand, um viajante, relatou que num desses viu 300 crianças.
— Em alguns navios, o total de crianças podia chegar a 60% do total — disse Honorato.
No Rio, a História do Brasil está à flor da terra, e as escavações têm revelado preciosidades. Que sejam preservadas. Visitar a História é a melhor forma de entender o presente e mudar o futuro.


sábado, 12 de novembro de 2011

SEMINÁRIO SOBRE DIVERSIDADES E SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA - 2011:MELHORES MOMENTOS


A presença das escritoras Conceição Evaristo e Cidinha da Silva

Palestra do Prof. Marcos Cardoso: A história da África

Profa. Silvani Valentin  fala sobre a Lei que instituiu a obrigatoriedade dos estudos afro brasileiros nas escolas .

Lideranças da comunidade marcaram presença

Os alunos do Cefet aprenderam e curtiram

 A dança do Assum Preto
A capoeira com o mestre Léo 


A palestra sobre religiões de matriz africana, com o prof. Inácio Frade  e sobre a presença do negro no futebol brasileiro, com o prof. Luciano de Andrade

A palestra sobre diversidade sexual com o Marcos Trajano  e o prof. José Antônio
Aplaudimos a Escola de Samba Unidos do Pirineus
Unimos conhecimento, arte, cultura e  contribuímos para melhorar a qualidade da educação no CEFET MG:
 Isso é  produção de TECNOLOGIA SOCIAL

AXÉ!!!!!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Semana da consciência negra e Seminário nacional sobre diversidade - 2011


* Não é necessário fazer inscrição para participar do evento

DIA 09/11 (Quarta-feira)

MANHÃ

9:00 – ABERTURA

Prof. Júlio César Nogueira Gesualdo – Diretor do CEFET-MG/ Leopoldina.

Profª. Margareth Franklim – Coordenadora do NEAB/ Leopoldina.

Eduardo Benini – Psicólogo da Assistência ao Estudante do CEFET-MG/ Leopoldina.

Representante da Prefeitura de Leopoldina/MG.

9:30 – Mesa: A mulher negra na literatura brasileira

Mediação: Profa Margareth Cordeiro Franklim

Convidadas:

Conceição Evaristo – escritora. Autora de Ponciá Vicêncio (2003); Becos da Memória. (2006) Poemas da recordação e outros movimentos (2008); Insubmissas lágrimas de mulheres. (2011).

Cidinha da Silva – escritora. Entre suas obras destacam-se "Os nove pentes d'África" (2009) e
"Kuami" (2011), romance infanto-juvenil.

10:10 – DEBATE

11:10 – INTERVALO

11:20 Apresentação artística: leitura de poemas e fragmentos das obras de Conceição Evaristo e Cidinha da Silva – Alunos do CEFET-MG – Leopoldina/MG.

11: 40 – Sessão de autógrafos com as autoras.

TARDE

Mesa: Educação para relações étnico-raciais.

Mediação: Prof. Luís Eduardo de Oliveira

14:00 – A Articulação Nacional dos Núcleos de Pesquisa e Estudos Afro-Brasileiros na Rede de Educação Profissional e Tecnológica

Profª. Silvani Valentim – Coordenadora do NEAB/CEFET-MG e Diretora do Depto. Educação
CEFET-MG.

14:30 – A importância da História da África para entendermos o Brasil.

Prof. Marcos Cardoso - Filósofo, Mestre em História (UFMG) e professor de História da África.

15:00 – DEBATE

16:00 – INTERVALO

16:15 – Apresentação Musical: Grupo ASSUM PRETO.

2º Dia – 10/11 (Quinta-feira)

MANHÃ

9:00 – Mesa: Somos todos diferentes, por isso queremos direitos iguais.

Mediação: Camila Guimarães – Assistente Social - CEFET- MG, campus Leopoldina/ MG

Pesquisa sobre diversidade na escola.

Prof. José Antônio Pinto – Mestre em Ensino de Ciências e professor do CEFET-MG

9:30 – A luta contra a homofobia: história e perspectivas.

Marco Trajano – Representante do MGM: Movimento Gay Mineiro - Juiz de Fora

10:00 – DEBATE

11:00 – INTERVALO

11:15 – Exibição de vídeos: Educando para a diversidade.

TARDE

Mesa: Identidade e diversidade

Mediação: Prof. Diego Lucas

14:00 – A presença das religiões de matriz africana em nossa região.

Prof. Inácio Frade – Doutorando em Sociologia e professor de historia FIC/UNIS Cataguases/MG.

14:30 – O negro no futebol brasileiro.

Prof. Luciano de Andrade – Mestre em Literatura Brasileira (UFES) e professor do CEFET-MG, campus Leopoldina/MG.

15:00 – A historia dos movimentos contra a discriminação racial em Leopoldina.
Carlos Roberto Santiago – Músico e militante de movimentos sociais.

15:30 – DEBATE

16:00 – INTERVALO

16:20 – APRESENTAÇÃO MUSICAL : Bateria da Escola de Samba Unidos do Pirineus.